Whey e creatina fazem mal aos rins? Nefrologistas esclarecem


19/01/2026 às 12:14
Redação

Saúde

O consumo de suplementos, como whey protein creatina, se popularizou entre quem busca ganho de massa muscular e melhor desempenho físico. Mas, junto da popularidade, surgiram dúvidas e alertas sobre possíveis danos aos rins. Para esclarecer o que é mito e o que é verdade, nefrologistas explicam que, em pessoas saudáveis, o uso adequado desses produtos não costuma causar prejuízos renais — desde que haja orientação profissional e acompanhamento.

Entenda

  • Em pessoas saudáveis, whey e creatina são considerados seguros.
  • O risco maior está no excesso e na falta de avaliação prévia.
  • Quem tem doença renal pode não saber e sofrer complicações.
  • A creatina pode alterar exames sem indicar dano real ao rim.

Suplementos são seguros para quem tem rins saudáveis

De acordo com o nefrologista Pedro Mendes Filho, do Hospital Brasília, da Rede Américas, tanto o whey protein quanto a creatina estão entre os suplementos mais estudados atualmente. Em pessoas sem doença renal, eles são considerados seguros quando utilizados nas doses habituais e com indicação de um profissional habilitado, como médico ou nutricionista.

Helen Souto Siqueira, nefrologista do Hospital Anchieta, reforça que não há evidência científica consistente de que o uso adequado desses suplementos cause dano renal em indivíduos com função renal normal. Segundo ela, muitas preocupações surgem a partir de interpretações equivocadas de exames laboratoriais, especialmente quando há consumo exagerado.

O problema não é o suplemento, mas o exagero

Os especialistas concordam que o principal risco está no uso indiscriminado. O whey protein, por exemplo, é uma fonte concentrada de proteína e representa uma ingestão extra além da alimentação habitual. Em excesso, essa carga pode sobrecarregar os rins, especialmente em pessoas que já apresentam algum grau de comprometimento renal.

Helen explica que a ingestão diária de proteína deve ser individualizada, variando, em geral, entre 0,8 e 1,6 grama por quilo de peso corporal por dia. Não existe uma “receita única” válida para todos, e o acompanhamento nutricional é essencial para ajustar a quantidade às necessidades de cada pessoa.

Doenças renais podem ser silenciosas

Um dos maiores desafios, segundo Pedro Mendes Filho, é que muitas doenças renais são assintomáticas. Isso significa que a pessoa pode ter perda de proteína na urina, hipertensão, diabetes ou glomerulopatias sem saber — e, ao iniciar a suplementação sem avaliação, acabar agravando o quadro.

Por isso, os nefrologistas recomendam que, antes de iniciar o uso de whey ou creatina, seja feita uma avaliação médica com exames simples, como creatinina no sangue e análise de urina para verificar a presença de proteína. Durante o uso, o monitoramento periódico também é fundamental.

Creatina altera exames, mas não costuma lesar os rins

Outro ponto que gera confusão é a creatina. Ao ser metabolizada pelo organismo, ela se transforma em creatinina, principal marcador usado para avaliar a função renal. Com isso, os níveis de creatinina no sangue podem subir discretamente, dando a falsa impressão de piora da função dos rins.

Pedro Mendes Filho explica que, nesses casos, o médico pode recorrer a outros exames, como a cistatina C, para confirmar que a alteração é apenas consequência da suplementação e não um sinal de doença renal. Segundo os especialistas, não há evidências de que a creatina, nas doses recomendadas, sobrecarregue ou prejudique os rins de pessoas saudáveis.

Sinais de alerta exigem atenção médica

Helen Souto Siqueira destaca que alguns sinais podem indicar problemas renais e devem ser investigados, independentemente do uso de suplementos. Entre eles estão inchaço no corpo e no rosto, urina espumosa, redução do volume urinário, cansaço excessivo, náuseas, vômitos, pressão arterial descontrolada e alterações nos exames de sangue e urina.

Nessas situações, a orientação é interromper a suplementação e procurar avaliação médica. “Os suplementos não são vilões, mas também não são inofensivos”, resume a nefrologista. Em pessoas saudáveis, podem ser utilizados com segurança, desde que sem excessos. Já quem tem comorbidades deve sempre passar por avaliação médica antes de iniciar o uso.

Fonte: Metrópoles

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