Regiões valorizadas devem sentir maior impacto com revisão da PGV
Redação
IPTU
A atualização da Planta Genérica de Valores (PGV) do IPTU em Cuiabá, prevista para entrar em vigor em 2026, deve atingir com mais intensidade bairros que passaram por forte valorização imobiliária nos últimos anos — entre eles o Pedra 90, o Grande Imperial e áreas comerciais que registraram rápida expansão. A revisão, conduzida pela Prefeitura, corrige uma defasagem histórica nos valores venais e pode resultar em aumentos entre 20% e 40%, conforme a localidade.
O presidente do Creci-MT, Claudecir Conttreira, que integra a comissão responsável pelos estudos, explica que o crescimento econômico dentro dos próprios bairros é um dos principais fatores que justificam o reajuste. “A descentralização mudou a dinâmica da cidade. O Centro perdeu força porque muitos bairros ganharam vida própria, com comércio aquecido e novos empreendimentos”, destacou.
Segundo o prefeito Abilio Brunini (PL), o reajuste máximo não deve ultrapassar 40% em condomínios fechados e bairros nobres; 30% em regiões de classe média; e 20% em bairros populares. A atualização, segundo ele, seguirá critérios técnicos e limites estabelecidos pelos órgãos de controle.
Grande Imperial: de área remota a polo valorizado
A região do Grande Imperial — que abrange Jardim Imperial, Jardim Universitário e Recanto dos Pássaros — é um exemplo claro dessa transformação. Antes vista como distante do Centro, a área passou a receber condomínios horizontais, empreendimentos de alto padrão e uma ampla variedade de comércio.
A Avenida das Palmeiras, que se tornou um eixo comercial ativo, simboliza essa mudança. Para os moradores, como Eslaine Hurtado, que vive no local há oito anos, a rotina já não depende mais do Centro da Capital. “Antes era um bairro tranquilo, com poucos serviços. Hoje, tem comércio de ponta a ponta. A gente resolve tudo aqui”, relatou.
O avanço imobiliário também elevou o valor das propriedades. No condomínio onde Eslaine é síndica, casas entregues pelo Minha Casa, Minha Vida — que custavam entre R$ 85 mil e R$ 140 mil — hoje alcançam até R$ 600 mil.
Condomínios devem sentir impacto maior
A revisão deve atingir mais fortemente condomínios fechados, onde a diferença entre o valor venal atual e o valor real de mercado é bastante significativa. Conttreira, contudo, alerta para a necessidade de cautela. “É preciso criar um cálculo diferenciado. Não podemos penalizar moradores que investiram, geraram empregos e buscaram segurança diante da deficiência do poder público”, defendeu.
Moradores da região também demonstram preocupação com os impactos. Embora reconheçam a necessidade de atualização, cobram contrapartidas. “Se o valor venal vai subir, espero que isso traga melhorias para o bairro. Do contrário, fica difícil justificar um aumento tão alto”, destacou Eslaine.
Processo gradual e com travas
A Prefeitura assegura que o processo será gradual, com limites definidos pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) para evitar saltos abruptos. Abilio afirma que a atualização é obrigatória e que o único projeto a ser enviado à Câmara será o das isenções sociais, voltado a famílias de baixa renda.
“Não há aumento abusivo. Estamos atualizando valores antigos e garantindo proteção a quem mais precisa”, disse o prefeito.
Outras regiões impactadas ainda não foram detalhadas, e a Prefeitura só deve divulgar informações completas após o encerramento dos estudos da comissão, previsto para o início de dezembro.