Nova ferramenta de IA do TCE-MT agiliza processos e fortalece fiscalização
Redação
MODERNIZAÇÃO
O Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) lançou, nesta terça-feira (16), a plataforma de inteligência artificial Platão, desenvolvida para agilizar processos internos, dar mais eficiência à fiscalização e garantir maior segurança no uso de dados públicos. A ferramenta executa desde tarefas simples do dia a dia até análises complexas que envolvem decisões estratégicas, com impacto direto na gestão pública e na sociedade.
“Vivemos um tempo de transformação. A inteligência artificial, quando bem compreendida e bem aplicada, pode ser uma aliada estratégica da boa governança, da eficiência e da transparência. Nosso papel como órgão de controle é orientar, capacitar e fomentar inovações como esta, que permitem melhores entregas de serviços à sociedade”, afirmou o presidente do TCE-MT, conselheiro Sérgio Ricardo.
Desenvolvida pela Secretaria Executiva de Tecnologia e Informação (SETI), sob a coordenação de Reginaldo Hugo dos Santos, a plataforma conta com módulos baseados em IA generativa e é destinada exclusivamente ao uso interno. Segundo ele, o objetivo é acelerar fluxos de trabalho sem substituir o servidor:
“É uma plataforma modular, dividida por áreas de gestão, que pode apoiar tanto em tarefas corriqueiras quanto em processos mais sofisticados. A IA não veio para tomar o lugar de ninguém. Ela apenas auxilia, mas a palavra final é sempre do servidor.”
Entre os recursos, destaca-se o chat Platão, que permite aos servidores utilizarem inteligência artificial em ambiente seguro, protegendo informações sigilosas. A solução também centraliza serviços de gestão de pessoas antes restritos à intranet, tornando-os mais acessíveis e práticos.
Para o secretário executivo de Gestão de Pessoas, Enéias Viegas, a iniciativa fortalece tanto a fiscalização quanto a gestão interna:
“Nosso objetivo é facilitar o dia a dia de quem atua no TCE-MT, fortalecendo a cultura de inovação e garantindo que a tecnologia esteja a serviço de uma gestão pública mais eficiente e humanizada.”
O consultor jurídico-geral Grhegory Maia, também coordenador pedagógico da Escola Superior de Contas, ressaltou o impacto nos julgamentos:
“A inteligência artificial vai trazer mais celeridade e mais conhecimento sobre dados e políticas aos julgadores finais, que são os conselheiros. Com isso, terão ainda mais segurança sobre cada processo.”
Já o auditor público externo Victor Augusto Godoy destacou a importância da engenharia de prompt — a formulação precisa de comandos para a IA:
“O prompt é como a programação em linguagem natural. É saber pedir para a máquina exatamente aquilo que se deseja. Em um teste prático, conseguimos gerar 100 ofícios em menos de um minuto, algo que manualmente levaria pelo menos um dia.”
Outro destaque foi o módulo de análise de licitações, apontado pelo auditor público externo Bruno Zys como um salto na fiscalização preventiva:
“Uma análise manual de um edital de licitação, que pode levar em média dois dias, pode cair para uma ou duas horas. Isso permite identificar irregularidades de forma antecipada, corrigir falhas, aumentar a concorrência e reduzir preços finais de aquisição.”
Durante o evento, também foi lançada a Cartilha de Uso Ético de Inteligência Artificial no Serviço Público, que traz conceitos básicos, princípios éticos, boas práticas e exemplos de aplicação da IA, orientando o uso seguro e responsável das novas ferramentas.