Operação Perfídia expõe crise sem precedentes na Câmara de Cuiabá em 2025


01/01/2026 às 11:22
Redação

Balanço

O ano de 2025 entrou para a história política de Cuiabá como um dos mais turbulentos já vividos pela Câmara Municipal. O epicentro da crise foi o afastamento dos vereadores Sargento Joelson (PSB) e Chico 2000 (PL), investigados no âmbito da Operação Perfídia, que apura um suposto esquema de pagamento de propina envolvendo as obras do Contorno Leste.

Deflagrada no dia 29 de abril, a operação da Polícia Civil, por meio da Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), mirou parlamentares, empresários e servidores públicos. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em diversos endereços, provocando forte impacto político e institucional no Legislativo cuiabano.

As investigações apontaram indícios de que vereadores teriam recebido vantagens indevidas de representantes da empreiteira responsável pela obra, em troca de apoio político para a aprovação de um projeto de lei que autorizava o pagamento de valores milionários à empresa. Entre os elementos reunidos estão depoimentos, mensagens trocadas por aplicativos e movimentações bancárias, incluindo transferências via Pix, acompanhadas de comprovantes enviados diretamente aos parlamentares.

Com o avanço do inquérito, a Justiça determinou o afastamento imediato dos dois vereadores, além da apreensão de passaportes e da proibição de acesso às dependências da Câmara. A medida teve como objetivo preservar as investigações e evitar interferências na produção de provas. Durante o período, suplentes assumiram temporariamente as cadeiras, enquanto a Mesa Diretora lidava com a pressão política e a repercussão pública do caso.

Ao longo dos meses seguintes, o clima de instabilidade se manteve. Testemunhas consideradas-chave detalharam como os supostos pagamentos teriam ocorrido, indicando valores, datas e intermediários. Um dos pontos mais sensíveis foi o relato de um delator que afirmou ter realizado transferências bancárias diretas aos investigados, reforçando a suspeita de ligação entre os pagamentos e a tramitação legislativa que beneficiava a empreiteira.

Internamente, chegou-se a discutir a abertura de processos ético-disciplinares, mas a Câmara optou por cautela, diante do andamento das investigações judiciais. Paralelamente, decisões judiciais garantiram aos vereadores afastados o recebimento de salários, o que gerou críticas e intensificou o debate público.

Desde o início, Sargento Joelson e Chico 2000 negaram as acusações. Joelson afirmou ser vítima de uma armação e negou qualquer recebimento de propina. Chico 2000 também rechaçou as denúncias, declarou confiar na Justiça e sustentou não haver provas contra si.

No segundo semestre, o cenário começou a mudar. Em setembro, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso concedeu habeas corpus que autorizou o retorno de Sargento Joelson ao mandato, decisão posteriormente estendida a Chico 2000. Com isso, ambos reassumiram seus cargos, encerrando o período de afastamento que simbolizou o auge da crise institucional.

Apesar da retomada dos mandatos, a Operação Perfídia deixou marcas profundas na Câmara de Cuiabá e se consolidou como um dos episódios mais emblemáticos de 2025, evidenciando fragilidades políticas e institucionais. As investigações seguem em andamento e continuam sob acompanhamento da sociedade.

 

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