PF amplia apuração sobre venda de decisões no STJ


14/10/2025 às 16:35
Redação

Novos envolvidos

A Polícia Federal deve ampliar as investigações da Operação Sisamnes, após identificar indícios de que servidores ainda não identificados do Superior Tribunal de Justiça (STJ) também podem ter participado de um esquema de venda e vazamento de decisões judiciais. O relatório preliminar da PF aponta a existência de uma estrutura organizada dentro do tribunal, com “padrões típicos de atuação de organizações criminosas”.

O documento revela que o esquema pode ir além dos três servidores já investigados — Daimler Alberto de Campos, Márcio José Toledo Pinto e Rodrigo Falcão — e envolver outros funcionários ligados a gabinetes de ministros. “O conjunto de diligências realizadas permitiu identificar, em tese, que o esquema não se restringia aos servidores já citados, mas integrava estrutura voltada à manipulação de decisões judiciais”, diz trecho do relatório obtido pela Folha de S.Paulo.

As suspeitas recaem especialmente sobre processos sob relatoria da ministra Isabel Gallotti, cujos interlocutores demonstravam ter acesso antecipado a informações internas, incluindo pautas e movimentações processuais sigilosas. A PF investiga se esses dados eram repassados ao lobista Andreson de Oliveira Gonçalves, apontado como o principal articulador do esquema.

Também há menções a possíveis irregularidades em gabinetes das ministras Nancy Andrighi e Isabel Gallotti, além do ministro Og Fernandes, relator da Operação Faroeste. Nenhum ministro, porém, é investigado. O caso está sob relatoria do ministro Cristiano Zanin, no Supremo Tribunal Federal (STF).

Em nota, o gabinete da ministra Nancy Andrighi informou que os processos de responsabilização “estão em andamento para que os fatos sejam devidamente esclarecidos e os responsáveis punidos”. Já a ministra Isabel Gallotti afirmou que “desconhece o conteúdo da investigação por tramitar em sigilo”, mas se colocou à disposição para colaborar. O ministro Og Fernandes declarou que “quem cometer ato ilícito deve assumir as consequências legais cabíveis”.

A PF segue analisando mensagens, movimentações financeiras e dados obtidos em nuvem, que apontam conexões entre servidores e o lobista Andreson. Este último está em prisão domiciliar em Primavera do Leste (MT) desde julho, por decisão do ministro Zanin, após parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR) devido a seu estado de saúde.

As apurações buscam agora identificar novos envolvidos e confirmar se decisões e informações judiciais sigilosas foram de fato comercializadas dentro do STJ.

 

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