UFMT desenvolve fertilizante a partir de esgoto e resíduos domésticos com alto potencial agrícola
Redação
PESQUISA
Pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) descobriram uma forma inovadora de transformar esgoto e resíduos orgânicos domésticos em fertilizante foliar capaz de aumentar a produtividade agrícola, inclusive em solos degradados e sob altas temperaturas. O produto, resultado de seis anos de pesquisas, já foi testado em soja, milho, algodão e braquiária, apresentando ganhos expressivos no desenvolvimento das plantas.
O estudo é liderado pelo físico-químico Ailton Terezo, que desde 2004 atua com nanotecnologia aplicada à agricultura. Em agosto deste ano, o método de obtenção dos nanocarbonos — substâncias que compõem o fertilizante — foi oficialmente patenteado por um dos membros do grupo de pesquisa.
Inicialmente, os testes foram feitos com resíduos de acerola, mas o avanço veio quando a equipe passou a utilizar esgoto de um hotel de Cuiabá. O resultado foi um líquido rico em nanopartículas de carbono que, ao ser aplicado nas plantas, aumenta a captação de energia solar para a fotossíntese, acelerando o crescimento das folhas e da parte verde.
Segundo Terezo, a tecnologia também se mostrou eficiente em condições adversas. “As plantas tratadas com essa nanotecnologia crescem mesmo em solos pobres, com alta salinidade ou incidência solar. É uma oportunidade para recuperar áreas degradadas sem a necessidade de novos desmatamentos”, destacou.
Entre os testes realizados, a braquiária apresentou resultados de maior impacto: aumento de 56,3% na massa comestível em comparação às plantas não tratadas. A descoberta é estratégica para Mato Grosso, estado que possui o maior rebanho bovino do país, com mais de 32 milhões de cabeças.
Além do etanol, a pesquisa também abre caminho para o reaproveitamento de resíduos urbanos e da suinocultura, reduzindo impactos ambientais. O grupo trabalha agora em estratégias para viabilizar a produção em larga escala, que já evoluiu de um processo de 15 dias para apenas 24 horas por litro produzido.
Com esse avanço, a UFMT coloca Mato Grosso na vanguarda da bioeconomia, unindo ciência, agricultura e preservação ambiental.