Surto de metanol em bebidas adulteradas transforma 2025 em ano de alerta no Brasil


29/12/2025 às 10:34
Redação

ALERTA

O ano de 2025 ficará marcado por um medo silencioso que se espalhou pelo país: a intoxicação por metanol presente em bebidas alcoólicas adulteradas. O problema começou a chamar a atenção no fim de agosto, quando unidades de saúde de São Paulo passaram a registrar atendimentos suspeitos.

Em setembro, a situação se agravou com a confirmação da primeira morte no Brasil, também em São Paulo. A partir daí, os casos se multiplicaram e alcançaram outros estados, entre eles Mato Grosso, onde quatro pessoas morreram em decorrência da intoxicação.

O metanol, substância responsável pelo surto, é um solvente industrial extremamente tóxico. Ao ser ingerido, inalado ou absorvido pela pele, ele é metabolizado pelo fígado em formaldeído e ácido fórmico, compostos altamente nocivos ao organismo. Os sintomas podem surgir entre 6 e 72 horas após o consumo da bebida contaminada e incluem náuseas, vômitos, dores abdominais, alterações visuais, rebaixamento do nível de consciência, coma e morte.

Diante da gravidade, o episódio passou a ser tratado como um evento de saúde pública, exigindo vigilância intensificada e resposta rápida dos serviços de saúde em todo o país.

Panorama nacional

Entre 26 de setembro e 5 de dezembro, o Brasil contabilizou 890 notificações relacionadas à suspeita de intoxicação por metanol. Desse total, 73 casos foram confirmados, 29 permaneciam em investigação e 788 foram descartados.

Os estados com maior número de registros foram São Paulo, com 578 notificações e 50 confirmações; Pernambuco, com 109 notificações e oito casos confirmados; Paraná, com seis confirmações; Mato Grosso, também com seis; e Bahia, com dois casos confirmados.

Apesar de apresentar números inferiores aos de São Paulo, Mato Grosso viveu episódios de grande repercussão e desfechos trágicos.

Casos em Mato Grosso

A sequência de ocorrências no estado teve início em 22 de outubro, quando um jovem de 24 anos, morador de Várzea Grande, teve a intoxicação por metanol confirmada em exame laboratorial. O caso chamou atenção pela gravidade, já que o paciente sofreu lesão ocular irreversível, uma das consequências mais severas da substância.

Em 13 de novembro, a Secretaria Estadual de Saúde confirmou o primeiro óbito por metanol em Mato Grosso. A vítima era uma mulher de 30 anos, também de Várzea Grande, que passou mal após consumir cerveja em uma festa no dia 2 de novembro. Nos dias seguintes, ingeriu novamente cerveja e whisky, evoluindo com náuseas e vômitos. O exame toxicológico confirmou a presença de metanol, mas, mesmo internada, ela não resistiu.

Pouco depois, dois casos em Itanhangá, a 150 km ao norte de Cuiabá, reacenderam o alerta. Um jovem de 26 anos e sua sogra, de 42, foram atendidos após consumirem whisky supostamente adulterado. O rapaz apresentou sintomas moderados e recebeu alta. Já a mulher teve piora progressiva, incluindo perda da visão, e morreu dias depois.

O avanço do surto continuou com registros em outras regiões do estado. Em Nova Brasilândia, um homem de 33 anos foi internado em Cuiabá após confirmação do caso em 17 de novembro; ele chegou a receber o antídoto, mas morreu em 7 de dezembro. Outro óbito foi registrado em um jovem de 24 anos, natural de Querência, que foi internado em Barra do Garças. O exame confirmou a intoxicação em 18 de novembro, e ele morreu sem ter recebido o antídoto.

Resposta do sistema de saúde

Com o aumento das ocorrências, Mato Grosso precisou agir rapidamente. Em 16 de novembro, Cuiabá recebeu 28 ampolas de fomepizol, medicamento utilizado como antídoto no tratamento da intoxicação por metanol. As doses foram destinadas à farmácia de emergência do Hospital Municipal de Cuiabá (HMC), referência no atendimento pelo SUS.

O fomepizol é considerado essencial porque bloqueia a metabolização do metanol em compostos tóxicos, reduzindo significativamente o risco de sequelas graves e morte.

Atualmente, o estado monitora três casos em investigação, três pacientes internados e cinco pessoas que já receberam o antídoto.

O surto de intoxicação por metanol transformou 2025 em um ano de alerta nacional. A crise expôs fragilidades no controle de bebidas adulteradas, reforçou a importância da vigilância epidemiológica ativa e evidenciou a necessidade de ampliar o acesso rápido ao antídoto, muitas vezes decisivo para salvar vidas.

Em Mato Grosso, cada caso deixou marcas profundas nas famílias atingidas e nos profissionais de saúde que enfrentaram uma situação inédita e de alta complexidade.

0 comentários


Deixe um comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos obrigatórios estão marcados *


Veja mais:


  • Mundo - BTS confirma três shows no Brasil em 2026
  • Mato Grosso - Relatório anual da CCJR aponta crescimento da produtividade em 2025
  • Mato Grosso - Programa Casa Cuiabana inicia entrega de documentos com mais de 200 atendimentos
  • Mato Grosso - Baixinha reúne Abílio e Botelho para agilizar regularização fundiária
  • Mundo - Com ‘comeback’ tido como iminente, Harry Styles pode performar no Brit Awards 2026
  • Brasil - Marina Sena revela promessa que o namorado, Juliano Floss, fez a ela antes de ir para o BBB 26
  • Mato Grosso - Período de matrículas para novos alunos da Escola Estadual Governador José Fragelli encerra nesta quarta-feira (14)
  • Mato Grosso - Sisu 2026 ofertará mais de 8 mil vagas no Mato Grosso
  • Pelando - Carlinhos Maia desabafa e pede respeito após críticas de fãs nas redes: “Não sou um boneco”
  • Mundo - IM, do MONSTA X, anuncia data de alistamento militar.