Autoescolas alertam para riscos com novas regras da CNH
Redação
Quaificaçao precária
As mudanças anunciadas pelo Governo Federal para a obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) têm gerado forte reação entre empresários e instrutores de trânsito de Várzea Grande. Segundo profissionais do setor, a flexibilização das exigências pode resultar em motoristas menos preparados, aumento de acidentes, queda na qualidade do ensino e fechamento de Centros de Formação de Condutores (CFCs).
As críticas surgem após denúncias de que instrutores estariam sendo credenciados em poucos minutos por meio de cursos online, sem verificação adequada, e até casos de certificados emitidos para pessoas já falecidas ou que nem possuem habilitação.
Credenciamento rápido preocupa profissionais
Karla, diretora de uma autoescola que atua em Cuiabá e Várzea Grande, afirma que a nova resolução derruba padrões mínimos de qualificação que antes eram exigidos dos instrutores.
“Agora, com um curso online de poucos minutos, qualquer pessoa pode se credenciar, sem checagem de antecedentes. Já tivemos certificados emitidos até para quem faleceu. Isso revela a gravidade do problema”, alertou.
O instrutor Humberto Gomes Bezerra também criticou a simplificação. Ele relembrou que, para atuar na área, precisou cumprir 45 horas de formação, com disciplinas teóricas e práticas.
“A plataforma vai oferecer um curso de 10 minutos para credenciar alguém a dar aula prática. Isso coloca a população nas mãos de instrutores sem preparo”, afirmou.
Aulas práticas reduzidas para duas horas
A diminuição da carga mínima obrigatória de aulas práticas — de 20 para apenas duas horas — é outra mudança que tem gerado preocupação.
Para Marcelo, proprietário de uma autoescola em Várzea Grande, é impossível que um aluno iniciante desenvolva segurança e coordenação no trânsito com tão pouco tempo.
“Duas horas não formam ninguém. Mesmo com 20 horas alguns ainda apresentam dificuldade. Vamos tentar nos adaptar, mas o prejuízo para a formação é evidente”, avaliou.
Humberto reforçou que, nessa carga horária, só é possível apresentar o veículo ao aluno.
“Com o trânsito já caótico como está, imagine com condutores ainda menos preparados”, completou.
Riscos para a segurança no trânsito
Além do risco de aumento de reprovações e acidentes, Karla aponta falhas também no conteúdo das aulas teóricas online gratuitas, que considera superficial.
“O conteúdo não aprofunda temas fundamentais como segurança, direção defensiva e responsabilidade no trânsito”, disse.
Ela também lembra que as autoescolas seguem critérios rigorosos de aprovação exigidos pelo Detran-MT, o que contribui para manter um padrão mínimo de qualidade.
“Sem essa exigência, a tendência é o aumento de reexames e mais motoristas sem preparo nas ruas”, avaliou.
Impacto econômico e risco de demissões
A nova resolução, segundo Marcelo, representa uma ameaça direta ao funcionamento dos CFCs.
“Esse modelo flexibilizado coloca em risco a continuidade de muitas empresas e pode gerar demissões em massa”, afirmou.
Mesmo com os exames teóricos e práticos mantidos, os empresários afirmam que isso não compensa a queda no número de aulas obrigatórias. Eles já discutem alternativas para manter as operações, mas admitem que haverá cortes.
“Infelizmente, teremos que reduzir o quadro de funcionários de forma ampla”, informou Marcelo.
O setor também critica a promessa de redução de até 80% no custo da CNH, alegando que as taxas do Detran permanecem as mesmas.
“Quem vai conseguir passar na prova com apenas duas aulas práticas?”, questionou Karla.