Crise na gestão Moretti: mais um secretário pede para sair e expõe racha político interno
Carolina Miranda
GESTÃO
A gestão da prefeita de Várzea Grande enfrenta mais uma baixa. O secretário de Desenvolvimento Econômico, Tecnologia e Turismo, Mário Quida, pediu exoneração do cargo e comunicou sua saída por meio de um grupo de WhatsApp. No texto, Quida não poupou críticas e deixou clara a existência de um profundo desgaste político dentro da administração.
Segundo ele, o estopim foi a divergência entre a prefeita Flávia Moretti (PL) e o vereador Samir Japonês (PL) — seu amigo pessoal há mais de 20 anos. A crise, que vinha sendo abafada nos bastidores, agora transbordou publicamente.
“Não fui ouvido por quem não sabe ouvir e não sabe dialogar com educação e respeito”, afirmou o ex-secretário em sua mensagem de despedida.
Quida relatou que entregou inúmeros projetos estruturantes para o município, mas muitos teriam sido vetados, ignorados ou engavetados por razões políticas. Entre eles, citou o Festival de Pesca em Bonsucesso e leis de criação de conselhos, fundos e incentivos fiscais para o Parque Tecnológico.
Apesar do ambiente hostil que descreve, ele destacou avanços da pasta: melhorias e reconhecimento no SINE, CAE, FIT Pantanal, CAT do Aeroporto, além de cursos de capacitação e eventos culturais e gastronômicos. Ele agradeceu ao vice-prefeito Tião e ao vereador Samir por acreditarem em seu trabalho.
No entanto, o tom da despedida deixa evidente o clima de rompimento:
“Hoje encerro meu ciclo […] em razão das divergências políticas da prefeita com meu amigo de 20 anos, Samir”, escreveu.
E concluiu com uma provocação política:
“A política ama a traição, mas odeia o traidor”, citando Leonel Brizola.
Com a saída de Mário Quida, sobe para mais um o número de secretários que deixam a gestão em meio a críticas. A debandada reforça a percepção de crise interna e de dificuldades de articulação política dentro do Palácio da Manga.
A expectativa agora é saber quem será o próximo — e se a prefeita conseguirá estancar a sangria no primeiro ano de mandato.