Proteína príon: achado pode ajudar a tratar doenças neurodegenerativas


 - Foto: Divulgação
13/12/2023 às 08:53
Redação

Saúde

Pela primeira vez, a ciência conseguiu observar uma transição aberrante em um processo fisiológico de uma proteína conhecida como príon. Esta proteína tem uma ligação estreita com doenças como o mal da vaca louca ou outras desordens do sistema nervoso. O resultado do estudo contribui para entender a biologia da proteína príon na saúde e na doença.

O fenômeno visto foi a passagem errônea de um estado líquido para o sólido. No estudo, identificou-se que a príon forma pequenas gotas fluidas como líquidos em células saudáveis, os chamados condensados biomoleculares. Porém, em condição de estresse celular, os condensados tornam-se aberrantes, perdendo a característica dinâmica das gotículas e adquirindo a forma sólida parecida com aglomerados gelatinosos.

Traduzindo: a gota líquida passa a adquirir características de gel e, posteriormente, se solidifica em um fenômeno incorreto. Esse estado sólido é irreversível e parece se relacionar com certas doenças.

Os condensados aberrantes descobertos abrem caminho fecundo para a melhor compreensão das doenças neurodegenerativas provocadas por essa proteína e, no futuro, podem ser alvos terapêuticos para prevenir a neurodegeneração.

A partir dessa pesquisa, acreditamos que os dados observados contribuirão com a ciência internacional na busca mais certeira por compostos direcionados ao bloqueio dessa conversão errônea da fase líquida para sólida.

Proteína príon

A proteína príon foi descrita, pela primeira vez, pelo neurologista americano Stanley Prusiner, da Universidade da Califórnia, em 1982. Sua hipótese de que uma proteína poderia se tornar infecciosa e causar doenças foi recebida, inicialmente, com ceticismo pela comunidade científica. Posteriormente, passou a ser amplamente aceita e acabou lhe rendendo o prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia, de 1997.

A atual pesquisa contou com três mulheres também pioneiras na área das pesquisas com príons, e o relato dos achados foi publicado, neste mês de novembro, em artigo no prestigioso periódico Science Advances. Em decorrência das observações descritas, acreditamos que nosso estudo insere mais uma peça nesse intrincado quebra-cabeça sobre a proteína príon anormal.

Nós, Mariana Amaral (primeira autora) e Yraima Cordeiro (autora sênior), ambas pesquisadoras da Universidade Federal do Rio de Janeiro, tivemos o pioneirismo nas pesquisas da América Latina com príons e os chamados condensados proteicos. Nesse campo, lideramos diversos trabalhos sobre separação de fase líquido-líquido de biomoléculas. Além disso, temos a primazia da descrição da transição anormal da proteína príon diante de certos cofatores. Estes cofatores são macromoléculas biológicas com carga negativa em ambiente celular como ácidos nucleicos.

Fonte: Metrópoles

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