Presidências de Câmara e Senado optam novamente por não participar de ato pró-democracia no 8 de Janeiro


07/01/2026 às 10:43
Redação

Entenda

Nenhum presidente da Câmara dos Deputados participou, até hoje, dos atos oficiais em lembrança dos ataques golpistas de 8 de Janeiro de 2023. Neste ano, o cenário se repete. Além disso, a presidência do Senado também optou por não estar presente.

As ausências coincidem com a expectativa de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetar o projeto, aprovado pelo Congresso, que anistia participantes das tentativas golpistas do 8 de Janeiro (veja mais abaixo).

O atual presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), não vai comparecer à cerimônia em defesa da democracia, marcada para esta quinta-feira (8), no Palácio do Planalto.

O antecessor de Motta no cargo, Arthur Lira (PP-AL), também não participou dos atos em 2024 nem em 2025.

Neste ano, diferentemente do Supremo Tribunal Federal e do Palácio do Planalto, o Legislativo não programou nenhuma cerimônia própria para marcar a data.

 

Congresso ausente desde 2024

 

O primeiro ato em defesa da democracia ocorreu em 2024 e foi sediado no Congresso Nacional, no Salão Negro. À época, Arthur Lira era aguardado, mas alegou problemas de saúde com um familiar e não compareceu.

Na ocasião, o então presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), foi o único chefe de uma das Casas do Legislativo presente no evento.

Em 2025, a cerimônia foi realizada no Palácio do Planalto. Lira voltou a faltar, e Pacheco também não compareceu. O Senado foi representado pelo então vice-presidente Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB).

Neste ano, além de Hugo Motta, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), também não participará do ato.

Para parlamentares governistas, a ausência da cúpula do Congresso reforça a avaliação de que os ataques de 8 de janeiro não resultaram na consolidação de uma frente política ampla contra a tentativa de golpe.

“Não existe um movimento político consistente contra a tentativa de golpe. Estou há dois anos como líder e, nesse período, sempre houve tentativa de aliviar o que aconteceu”, afirmou o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (PT-RJ).

Segundo ele, a postura dos presidentes das Casas reflete uma estratégia de equilíbrio político com parlamentares bolsonaristas. “Hugo e Alcolumbre querem se reeleger e jogam dos dois lados. A política não conseguiu criar um movimento amplo de rechaço à tentativa de golpe”, disse.

Motta e Alcolumbre foram eleitos para os comandos da Câmara e do Senado com apoio de partidos e parlamentares alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

 

Debate sobre veto não explica ausência, dizem governistas

 

Aliados do governo também rejeitam a avaliação de que a ausência dos presidentes do Congresso esteja relacionada à expectativa de veto presidencial ao projeto que reduz penas de condenados pelos atos golpistas.

Segundo parlamentares, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não faria o veto durante a cerimônia, caso Motta e Alcolumbre confirmassem presença.

“Vetará, provavelmente, mas fazer isso nessa solenidade é desnecessário. Fica parecendo disputa com o Congresso”, afirmou o líder do PDT, Mário Heringer (PDT-MG).

Lindbergh reforçou o argumento: “Se eles fossem, o veto ocorreria no dia seguinte, não na cerimônia. A decisão de não ir foi deles”.

Congresso foi o primeiro alvo dos ataques

O Congresso Nacional foi o primeiro prédio a ser atacado em 8 de janeiro de 2023. Só na Câmara dos Deputados, mais de 400 computadores foram destruídos, além de televisores, telefones, móveis e obras de arte.

Levantamento da Polícia Federal e de pesquisadores do Universidade Federal de Minas Gerais identificou 186 peças de arte danificadas nos ataques, parte delas localizadas na Câmara e no Senado.

Somados os danos ao Congresso, ao STF e ao Palácio do Planalto, o valor das obras afetadas chega a R$ 20 milhões, e o prejuízo material estimado é de R$ 12 milhões.

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