Reforma no Paiaguás prepara terreno para disputas eleitorais
Redação
Eleições 2026
O Palácio Paiaguás deve passar por uma ampla reforma administrativa em abril de 2026, em um movimento diretamente ligado aos planos eleitorais do grupo político do governador Mauro Mendes (União Brasil). A informação foi confirmada pelo próprio governador no fim deste ano, com a citação nominal de secretários que devem deixar o Executivo para disputar as próximas eleições, consolidando rumores que já circulavam nos bastidores.
A estratégia do governador é clara: distribuir seus auxiliares mais bem avaliados entre as disputas para a Assembleia Legislativa e a Câmara Federal, fortalecendo a base política do grupo e garantindo sustentação ao projeto político de longo prazo. Com isso, a reforma no secretariado será inevitável para acomodar as saídas e reorganizar a gestão estadual.
Na corrida por vagas na Assembleia Legislativa, aparecem como pré-candidatos o secretário de Saúde, Gilberto Figueiredo, nome de confiança de Mauro Mendes e protagonista na reestruturação da rede hospitalar do estado, incluindo a entrega do Hospital Central — ocasião em que seu discurso foi interpretado como uma despedida. Alan Porto, da Educação, também desponta, sustentado pelos indicadores do setor, com destaque para escolas militares e de tempo integral. Já Allan Kardec, à frente da Secretaria de Ciência e Tecnologia, aposta na experiência acumulada em mandato anterior no Parlamento estadual.
Para a Câmara dos Deputados, o principal nome é o do secretário-chefe da Casa Civil, Fábio Garcia, considerado o principal articulador político do governo e já conhecido do eleitorado por sua passagem anterior pelo Congresso Nacional. Outro nome que ganha força é o do secretário de Segurança Pública, coronel César Roveri, que deve ancorar sua campanha no discurso de “tolerância zero” contra o crime, pauta com forte apelo junto ao eleitorado conservador mato-grossense.
Nos bastidores, porém, um nome concentra atenção especial: o da primeira-dama Virgínia Mendes. Embora o governador adote cautela ao tratar do assunto publicamente, o interesse de partidos e lideranças políticas em torno de sua eventual candidatura tem se tornado cada vez mais explícito. À frente do programa Ser Família, Virgínia comanda a principal política social do governo, responsável pela entrega direta de benefícios à população em situação de vulnerabilidade.
Analistas avaliam que, caso confirme a entrada na disputa, a primeira-dama não será apenas mais uma candidata, mas poderá exercer papel estratégico como forte puxadora de votos, impulsionada pela capilaridade e pelo alcance social das ações que coordena. A definição dos próximos passos deve acelerar à medida que 2026 se aproxima, redesenhando o cenário político de Mato Grosso.