Avanço feminino no Congresso cresce, mas Brasil despenca em ranking internacional


01/01/2026 às 09:06
Redação

Representatividade

Entre 2005 e 2025, o Brasil registrou crescimento no número de mulheres ocupando cadeiras no Congresso Nacional, mas segue distante de um patamar considerado satisfatório e perdeu espaço no cenário internacional. Em duas décadas, a presença feminina na Câmara dos Deputados aumentou 111%, enquanto no Senado o avanço foi de 60%. Ainda assim, o país caiu 41 posições no ranking global de representatividade feminina nos parlamentos.

Dados da União Interparlamentar e da ONU Mulheres mostram que o Brasil passou da 92ª colocação, em 2005, para a 133ª em 2025 no ranking que avalia a participação de mulheres nas câmaras legislativas. Atualmente, das 513 cadeiras da Câmara dos Deputados, 93 são ocupadas por mulheres. Há 20 anos, eram apenas 44. No Senado, o número subiu de 10 para 16 senadoras em um total de 81 vagas.

Apesar do crescimento, especialistas avaliam que o ritmo é lento, sobretudo quando comparado a outros países da América Latina. Cuba aparece como o segundo país do mundo com maior representatividade feminina, com 55,7% do parlamento ocupado por mulheres, atrás apenas de Ruanda. Nicarágua, México e Costa Rica também figuram entre os destaques globais. No Brasil, as mulheres representam 18,1% da Câmara e 19,8% do Senado, o pior desempenho da América do Sul, atrás de países como Bolívia, Equador, Argentina e Guiana.

Para a cientista política Débora Thomé, professora do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), o cenário evidencia a necessidade de maior investimento dos partidos em candidaturas femininas competitivas. Segundo ela, o avanço observado ao longo de 25 anos ainda é insuficiente diante das transformações ocorridas em outros países da região.

A legislação de cotas, criada em 1995 e ampliada em 1997, estabeleceu a reserva mínima de 30% das candidaturas para um dos sexos nas eleições proporcionais. No entanto, especialistas apontam que, por muitos anos, a regra teve efeito limitado, já que se restringia às candidaturas, e não às cadeiras efetivamente ocupadas. Até 2009, partidos frequentemente não preenchiam as vagas ou recorriam a candidaturas fictícias, sem destinar recursos e visibilidade às mulheres.

O cenário começou a mudar de forma mais consistente a partir de 2014, com o fortalecimento das regras de financiamento e maior pressão social por igualdade de gênero. Em 2018, o Tribunal Superior Eleitoral determinou que pelo menos 30% dos recursos do fundo eleitoral e do tempo de propaganda fossem destinados exclusivamente às candidaturas femininas, regra que ganhou status constitucional em 2022.

Segundo especialistas, essas medidas ajudaram a impulsionar o número de mulheres eleitas, mas o desafio permanece. Para que o Brasil avance no ranking internacional, avaliam, é fundamental que os partidos deixem de tratar as cotas apenas como obrigação legal e passem a investir, de fato, na formação e no fortalecimento de lideranças femininas na política.

 

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