Governo Federal repassa mais de R$ 1 bilhão a Cuiabá apesar de críticas de Abilio
Redação
ORÇAMENTO
Apesar das declarações do prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), de que não conta com apoio financeiro do governo federal, dados do Portal da Transparência da União mostram que a capital mato-grossense recebeu R$ 1,034 bilhão da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os recursos foram transferidos por meio de convênios, programas e projetos federais.
O montante representa um crescimento de aproximadamente 20% em relação a 2022, último ano do governo Jair Bolsonaro (PL), quando Cuiabá recebeu R$ 820,6 milhões em repasses federais.
Entre os principais investimentos deste período estão 692 unidades habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida — rebatizado pela atual gestão municipal de Casa Cuiabana. Desde 2023, já são mais de 9,41 mil moradias contratadas, além de 8,7 mil financiadas com recursos do FGTS.
Na área da saúde, os repasses federais garantem o funcionamento de uma ampla rede de serviços, incluindo 27 médicos do programa Mais Médicos, 131 equipes de saúde da família, 585 agentes comunitários de saúde, 301 agentes de combate a endemias, 83 Unidades Básicas de Saúde (UBS), 4 UPAs, 56 equipes de saúde bucal, além de 34,8 mil pessoas atendidas pelo Farmácia Popular.
Os programas de transferência direta de renda também tiveram impacto significativo, somando R$ 2,55 bilhões destinados a moradores da capital. Desse total, R$ 300 milhões foram repassados via Bolsa Família, R$ 345 milhões pelo Benefício de Prestação Continuada (BPC), R$ 3,05 milhões pelo Auxílio-Gás, R$ 186 milhões em Seguro-Desemprego e R$ 1,73 bilhão em benefícios previdenciários.
Mesmo diante desses números, Abilio Brunini mantém uma postura de distanciamento político em relação ao Palácio do Planalto. O prefeito já afirmou que não pretende estabelecer qualquer relação institucional com o governo Lula e garantiu que não participará de eventos com o presidente em Cuiabá, caso haja visita oficial, nem permitirá a presença de representantes da prefeitura.
No início do mês, o gestor municipal chegou a atribuir ao governo federal a crise financeira enfrentada pela capital, alegando dificuldades fiscais e falta de repasses prometidos. Alinhado ao bolsonarismo desde a campanha eleitoral, Abilio reforça com frequência o discurso de oposição ao PT, afirmando que, em Cuiabá, “o petismo não cria”.