Relatório aponta persistência da violência contra mulheres mesmo após separação em Cuiabá
Redação
Violência contra a Mulher
O Anuário de 2024 da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher (DEDM), em Cuiabá, revelou que a violência doméstica continua afetando as vítimas mesmo após o fim dos relacionamentos. Segundo a análise, 52% das mulheres seguem sofrendo agressões cerca de um ano depois da separação.
No total, foram registrados 6.223 casos de violência doméstica e crimes sexuais na DEDM e no Plantão da Violência Doméstica da capital. Para o levantamento, foi considerada uma amostra de 2.956 atendimentos realizados pela unidade.
Entre as vítimas, 42% eram solteiras, 28% casadas ou em união estável e 21% já não estavam mais com os cônjuges, sendo 13% divorciadas e 8% separadas. “Mesmo após o término da relação, muitas mulheres seguem sendo alvos de violência por ex-parceiros que não aceitam o fim do relacionamento”, destacou a delegada Judá Maali Pinheiro Marcondes, titular da unidade e responsável pelo relatório.
O estudo mostra ainda que os primeiros 45 dias após a separação são os mais críticos: 20% das mulheres relataram novos episódios de violência nesse período, que pode evoluir para situações de maior gravidade, como o feminicídio.
A violência, no entanto, não se restringe ao curto prazo. De acordo com os dados, 27% das vítimas relataram agressões entre dois e cinco anos após o rompimento, 6% entre seis e dez anos e 2% mesmo após mais de uma década da separação.
No perfil dos agressores, 51% das denúncias foram contra ex-companheiros íntimos e 11% contra atuais parceiros. Para a DEDM, os dados reforçam a necessidade de ampliar medidas de proteção, especialmente no período imediatamente posterior ao fim das relações.