Programa Brasil Alfabetizado encerra ciclo com mais de 92 mil matrículas em 2025
Redação
EDUCAÇAO POPULAR
O Programa Brasil Alfabetizado (PBA) encerrou, em 2025, o seu mais recente ciclo com mais de 92 mil novas matrículas distribuídas em 2.426 turmas urbanas e 4.444 turmas rurais, alcançando 20 estados e 1.280 municípios em todo o país. A iniciativa reforça o papel estratégico da educação popular na formação de jovens, adultos e idosos que não tiveram acesso à escola na idade regular.
Criado em 2004, o PBA tem como missão universalizar a alfabetização de pessoas com 15 anos ou mais e contribuir para a elevação da escolaridade no Brasil. Retomado pelo Ministério da Educação (MEC) em 2024, o programa foi integrado ao Pacto Nacional pela Superação do Analfabetismo e Qualificação na Educação de Jovens e Adultos (Pacto EJA).
As aulas são realizadas em espaços comunitários e sociais, como igrejas, associações de bairro, unidades prisionais e centros comunitários, ampliando o alcance da alfabetização a grupos vulneráveis da sociedade.
Formação e apoio aos alfabetizadores
O PBA adota uma estrutura escalonada de formação: começa pela capacitação de Formadores Regionais, realizada em parceria com universidades e institutos federais, e se estende a formadores locais, coordenadores pedagógicos e professores da EJA.
As formações utilizam o Ambiente Virtual de Aprendizagem do MEC (AvaMEC), com cursos autoinstrucionais sobre fundamentos da EJA, metodologias ativas, gestão pedagógica e práticas inovadoras. As atividades incluem oficinas online, círculos de cultura e diálogos virtuais, todas certificadas por instituições de ensino superior.
Além disso, o MEC lançou a coleção Trilhas para Alfabetização, disponível no Portal do MEC, como material de apoio pedagógico para alfabetizadores.
Expansão e investimentos
Entre 2024 e 2027, o PBA ofertará 900 mil vagas, priorizando os 2.786 municípios com maiores índices de analfabetismo. Para viabilizar essa meta, serão investidos R$ 964 milhões.
O programa também prevê a concessão de 60 mil bolsas no valor de R$ 1.200, destinadas a alfabetizadores e alfabetizadores-tradutores de Libras. Esses profissionais atuarão diretamente nas turmas, incluindo a alfabetização de pessoas com deficiência auditiva. Os pagamentos serão feitos por meio de cartão-benefício do Banco do Brasil.
Contexto nacional
Segundo o Censo Demográfico de 2022, cerca de 11,4 milhões de brasileiros permanecem não alfabetizados. Diante desse cenário, o Pacto EJA tem como meta criar 3,3 milhões de novas matrículas em quatro anos, integrando educação de jovens e adultos à educação profissionalizante, com investimentos superiores a R$ 4 bilhões.
O esforço conjunto busca superar o analfabetismo, elevar a escolaridade, ampliar matrículas nos sistemas públicos de ensino — inclusive para a população carcerária — e fortalecer a EJA como instrumento de inclusão social e geração de oportunidades.