Da Geração Z para o mundo: como a "falsa produtividade" está mudando as empresas


19/02/2025 às 09:42
Redação

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A busca incessante por produtividade e eficiência no ambiente corporativo tem gerado novas tendências, algumas das quais levantam questões sobre a real necessidade de estar ocupado o tempo todo. Após as “férias clandestinas” e a “microaposentadoria”, a Geração Z impulsionou mais uma moda que está fazendo sucesso no TikTok: o Task Masking. Esse comportamento consiste em simular ou exagerar tarefas para criar a ilusão de produtividade, uma prática que tem se espalhado rapidamente na plataforma de vídeos curtos. De acordo com dados recentes, os vídeos sobre o tema acumularam mais de 1,1 milhão de visualizações nos últimos seis meses, refletindo uma mudança no comportamento dos jovens profissionais.

Apesar de não ser uma prática inédita no mundo corporativo, o impacto do Task Masking fica mais evidente com a popularização nas redes sociais. Não à toa, esse movimento vem ganhando força, especialmente após grandes corporações, como a Amazon, exigirem o retorno de seus colaboradores aos escritórios. A resistência das lideranças diante desse fenômeno é clara, com algumas apontando a Geração Z como um grupo mais difícil de gerenciar e com menos engajamento. De acordo com uma pesquisa de 2023 da ResumeBuilder, 74% dos gestores consideram que os jovens dessa geração são mais difíceis de lidar em comparação com outras, citando a falta de independência como um dos principais fatores. Além disso, o estudo revelou que mais da metade desses profissionais (54%) são demitidos nos primeiros 90 dias de trabalho.

Mas por que, então, os jovens gastam tanto tempo tentando parecer ocupados? O Task Masking surge como uma resposta direta ao modelo rígido e ao controle excessivo das grandes empresas, onde, muitas vezes, a pressão para mostrar resultados é mais valorizada do que o equilíbrio entre vida profissional e pessoal. “Esse novo movimento corporativo também revela como líderes e colaboradores de diversas idades podem estar presos em um ciclo de performatividade devido às pressões corporativas e expectativas de constante produtividade. O fato de executivos e gerentes também se envolverem nesse comportamento coloca em evidência um problema mais profundo: uma cultura organizacional que não permite espaços para vulnerabilidade ou pausas reais. Isso gera um ciclo de disfarce de resultados, onde o verdadeiro desempenho fica ofuscado pela preocupação com a imagem”, diz Marcello AmaroDiretor de Recursos Humanos (CHRO) da Portão 3 (P3).

O verdadeiro desafio, portanto, está em reverter a lógica da falsa produtividade. Para que isso aconteça, é essencial promover ambientes de trabalho onde a qualidade do trabalho seja mais importante do que a aparência de estar ocupado. Ao adotar uma postura mais flexível e humana, as empresas podem criar condições para que seus funcionários realmente se sintam engajados, sem a pressão de simular produtividade para atender expectativas que, muitas vezes, são irreais.

“O Task Masking está relacionado a uma cultura de trabalho always on, em que a expectativa é que os funcionários estejam sempre conectados e disponíveis, muitas vezes além do horário de trabalho regular. Os líderes precisam ser mais transparentes e permitir que os profissionais possam admitir quando precisam de descanso ou estão tendo um dia difícil”, conclui.

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